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Histórias sem Data - Machado de Assis
A Igreja do Diabo é uma nova idéia do diabo: fundar uma Igreja
e organizar seu rebanho, tal qual Deus. Após comunicar Deus de seu futuro
ato, vai à Terra e funda com muito sucesso uma Igreja que idolatra os
defeitos humanos. Mas aos poucos os homens vão secretamente exercitando
virtudes, Furioso, o Diabo vai falar com Deus, que lhe aponta que aquilo faz
parte da eterna contradição humana.
Anedota Pecuniária é uma pequena crítica a ganância.
Nela um homem "vende" suas sobrinhas aos homens que as amam por causa
de sua fascinação com o dinheiro.
Capítulo dos Chapéus é um conto onde aparece a frivolidade
e ostentação da época de Machado. Mariana, após
pedir ao marido que troque o seu simples chapéu, testemunha a sociedade
(na famosa rua do Ouvidor) e acaba pedindo que ele permaneça com seu
chapéu.
Fulano. Beltrão é um homem que vai aos poucos se tornando mais
um homem público que privado após receber elogios públicos
e acaba deixando seu dinheiro para a posteridade e não a família.
Galeria Póstuma é uma crítica a hipocrisia, onde o sobrinho
de um falecido recente lê em seu diário as verdadeiras opiniões
do tio sobre aqueles que o cercavam em vida, incluindo o rapaz.
Singular Ocorrência é o relato de um homem a um amigo sobre o
caso extraconjugal de outro amigo. Ele conta que esse amigo e a amante eram
apaixonados (ela abandonou a difícil vida fácil por ele) e que,
numa única vez, o traiu. E foi este caso que gerou um grande turbilhão
emocional que quase acabou no rompimento e suicídio dela, mas eles por
fim se reconciliam e vivem felizes até que ele muda de província
e morre antes de voltar.
Último Capítulo é o bilhete de um suicida. Azarado a
vida toda (ele literalmente caiu de costas e quebrou o nariz), sua vida foi
povoada de desgraças. Quando estava inventariando os bens da esposa
morta, achou cartas de amor de seu sócio. Decidiu matar-se e deixar
em seu testamento a cláusula que deveriam ser comprados sapatos e distribuídos,
já que vira um pobre coitado (mais que ele) feliz a contemplar seus
calçados.
  
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