|
Saturei.COM | Um jeito jovem de fazer internet
Histórias e Sonhos - Lima Barreto
A sombra do Romariz é uma pequena alfinetada no hábitos políticos
do tempo. Nela um tipógrafo explica que não trabalha à noite
porque se lembra de um revisor chamado Romariz que morreu quando, em 1890,
empastelaram um jornal monarquista no qual trabalhava, deixando a família
do pobre na miséria.
Carta de um Defunto Rico é a carta escrita pelo defunto José Boaventura
da Silva dizendo o quão feliz ele está por estar livre da sociedade
e de suas pressões. Fala um pouco de como os homens lidam com a morte: "enterros...
são feitos por vivos para os vivos."
Como o "Homem" Chegou é uma crítica a burocracia.
Numa delegacia do interior um delegado manda um louco em um carro blindado.
Mas o médico que vai com ele é tão "intelectual" que
ao cabo de uma viagem de dois anos, com total falta de cuidado com o louco
e um excesso de preocupação técnica, o paciente chega
morto.
Eficiência Militar é uma "historieta chinesa" onde
o vice-rei do Cantão gasta muito para equipar seu exército às
custas do povo trabalhador chinês.
Fim de um Sonho é um cavalheiro contando a efemeridade do luxo, já que
ele tinha ricos amigos e passava noites luxuosas até que o clube onde
jogava fechou e um de seus amigos foi preso.
Foi buscar Lã... O autor começa retratando o Praxedes, advogado
nortista, que finge ter muito dinheiro e faz uma ostentação exagerada.
Em seguida acontece um crime e o negro "Casaca", empregado da vítima, é preso
como suspeito. Praxedes vai defende-lo, embora nunca defenda causas criminais.
A vítima, que havia ficado em estado de choque, recuperada, entra e
revela que o verdadeiro criminoso é o próprio Praxedes.
Lourenço o Magnífico é um novo-rico que lucrou com a
guerra. Gasta grandes somas com a esposa e com obras de arte e tem um solene
desprezo pelo pobre.
Manel Capineiro é habitante de uma favela que Lima Barreto descreve.
Manel sobrevive colhendo capim e entregando-o com seus dois bois. Português,
Manel é um português que gosta da terra e dos animais. Um trem
mata os dois. Lima Barreto faz uma análise dessa população
carente do Rio de Janeiro.
Milagre de Natal é uma apresentação de temas de Lima
Barreto: o casamento por interesse; a burocracia inepta; a mania brasileira
de aristocracia. Nele a filha de um burocrata casa com agregado do pai que é promovido
no Natal, logo após anunciar que escreveria um livro sobre Direito Administrativo.
Miss Edith e Seu Tio São um casal inglês que chega a uma pensão
do Rio e mantém-se arrogantemente, distantes. Todos na pensão
sentem aquela suposta superioridade, não só física mas
intelectual e moral. No final, uma das empregadas flagra Edith saindo do quarto
do "tio".
O cemitério é o relato de um homem passa por um cemitério
e observando as lápides, comparando-as à sociedade. Em seguida,
observa um túmulo de uma mulher e põe-se a imaginar como ela
era viva, chegando sentir luxúria pela morta.
O falso D. Henrique V é uma crítica à história
do Brasil. Conta os fatos que cercaram a proclamação da República
da Bruzundanga (ver Os Bruzundangas toda a corrupção que se seguiu
e da revolta popular que restabeleceu ao trono o herdeiro do rei, o jovem D.
Henrique. Com o detalhe que o verdadeiro estava morto há anos. Mas este
D. Henrique governa e, já velho, proclama ele mesmo a República.
O Filho da Gabriela ficou órfão aos seis anos. Gabriela era
empregada numa casa onde o casal sem filhos vivia hipocritamente em matrimônio.
Batizado de Horácio, ficou morando com os padrinhos (os patrões
mãe) e cresceu quieto. E assim passaram os anos, com Horácio
sempre quieto. Aos poucos vai se afastando do padrinho que não gosta
dele. Quando acaba o conto, está febril na cama.
O Homem que sabia Javanês não o sabia realmente. O conto é um
relato de um amigo a outro sobre uma das espertezas que usou para sobreviver:
fingir saber javanês e ensiná-lo. Logo aprendeu o alfabeto e meia
dúzia de palavras e pôs-se a ensinar o velho que o contratou;
logo já "lia" em javanês para o velho (que desistira
de aprender) e publicava sobre Java. Foi nomeado cônsul e representou
o Brasil em uma reunião de sábios; deu palestras e publicou pelo
mundo sobre Java. No final do conto ainda estava em cargos consulares por "saber" javanês.
O Jornalista Nabor de Azevedo é o instrumento de um tema importante
de Lima Barreto: a imprensa maléfica de sua época. Nabor vive
em uma cidade pequena e, em sal ganância e vaidade, cria uma notícia:
põe fogo numa casa. Tudo para vencer o concorrente. Mas tudo fica tão óbvio
que ele é pego. p align="justify" style="margin-top:
0; margin-bottom: 0"> O meu Carnaval é Valentim descrevendo
como, após se "voluntariar" para a para a Guarda Nacional
e "doar" o dinheiro para a caixa do regimento, passa o Carnaval servindo
seu corrupto oficial e acaba preso por guardas que não acreditam que
ele realmente faz parte da Guarda.
O Número da Sepultura de sua avó foi o que Zilda escolheu para
jogar no bicho. Zilda é uma jovem dona de casa suburbana num casamento
monótono com Augusto. Sua avó lhe diz em sonho para jogar no
número de sua sepultura, 1724, e ela joga no bicho e ganha. Augusto
fica feliz e há festa, mas no mês seguinte é ele que paga
o aluguel. Aqui aparece de novo a versão de Lima Barreto do casamento:
quase um contrato entre duas pessoas, feito de curiosidade e conveniência
ao invés de amor.
O pecado é uma crítica ao preconceito racial: São Pedro
examina uma alma e vê um digno de sentar-se a direita do trono por toda
eternidade, mas como o escriturário nota, é a alma de um negro
e deve ir ao Purgatório...
O Tal Negócio de "Prestações" Arruina José.
Após ganhar no jogo do bicho ele distribui dinheiro para a esposa e
as filhas, que se endividam com prestações para futilidade com
que acaba tendo de arcar.
O Único Assassinato de Cazuza foi um tanto banal: ele matou um pinto
quando tinha sete anos. Mas o que transparece no conto é o valor que
o autor dá à vida e ao horror que ele tem de tirá-la.
Dá também alfinetadas nos assassinatos políticos, comuns
na época.
Quando ela deu o sim, Mas... é a crítica de Lima Barreto aos
aproveitadores de seu tempo. nele João Cazu, um malandro jogador de
futebol (esporte que Lima Barreto desprezava), tenta se aproveitar de Ermelinda,
viúva com quem quer casar apenas para ter uma empregada. Ela aceita,
mas antes diz que ele tem que arranjar emprego, etc. e ele sai e não
mais volta.
Três Gênios de Secretaria é uma pequena crítica
de Lima Barreto aos três tipos de burocrata: o honesto e insípido,
o desonesto e simpático e o pior: o ameba, inútil, vazio, metido
a literato, parasita da sociedade e produto típico de uma burguesia
tola e falsa. É importante notar que este conto é "escrito
por Augusto Machado", o mesmo autor ficcional de
Vida e Morte de M.J. Gonzaga de Sá. Um e outro é sobre Lola,
uma espanhola que emigrou pobre para o Brasil, abandonou o esposo e tornou-se
amante de luxo do homem que fora seu patrão. Mas apesar de todos os
seus amantes ricos e poderosos, gosta mesmo é do rude chofer que dirige
o carro luxuoso em que passeia. Quando vai ao encontro dele, após um
hiato de uma semana, este revela que deixou de dirigir o carro de luxo para
dirigir um táxi. Ela imediatamente perde a atração que
sentia em relação a ele, muito interligada ao carro que ele dirigia.
Então ela deita-se com ele, repugnada, pela última vez.
Um Especialista é o diálogo de dois abastados portugueses de
meia-idade sobre mulheres. Um deles prefere as brancas estrangeiras, o outro
as mulatas e negras. Este último vai relatando sobre uma que conheceu
nos últimos dias, muito bonita, que ao final da história é mostrada
como sendo sua filha.
Um que Vendeu a Alma o fez por pouco: 20$000. Nesta anedota Lima Barreto critica
o pouco valor que tem os homens (o cara se vende por uma ninharia) e a capacidade
do ser humano de entregar o que lhe há de mais pessoal.
A Nova Califórnia é uma crítica a ganância. Nele,
um químico misterioso aparece na cidade de Tubiacanga. Anos depois de
sua chegada, faz uma experiência na qual transforma ossos humanos em
ouro. Ele convida três testemunhas (o farmacêutico, um fazendeiro
e o coletor) para o ato , o realiza e depois desaparece da cidade. Então,
os túmulos do cemitério da cidade, o "Sossego", começam
a ser violados. Quando depois de um escândalo prendem dois violadores,
eles mostram ser duas das testemunhas. O fujão é o farmacêutico.
Quando a população descobre, vai até a casa do farmacêutico
que promete divulgar a fórmula do dia seguinte. Assim, naquela madrugada
a população inteira se esgueira para o cemitério para
violar tantos túmulos quanto puderem (e ter tanto ouro quanto puderem
depois). O que acontece é uma carnificina que deixa no cemitério
em uma noite mais mortos que em seus 30 anos anteriores. O único que
não se mete na confusão é um bêbado da cidade, que
calmamente sobra na cidade-fantasma.
  
|