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A Brasileira de Prazins - Camilo Castelo Branco
Autor de obra vastíssima, inicialmente romântica, aderiu ao realismo
com A Brasileira de Prazins, em 1882.
Sua obra retrata a vida social e familiar de seu tempo, com sátiras
mordazes que têm como alvo principal os comerciantes de classe média.
Seu estilo se destaca pelo uso brilhante do idioma português.
Em obras como Anátema, Livro Negro de Padre Dinis ou A Brasileira de
Prazins, Camilo deliciava-se a inventar livros perdidos e mais tarde por si
descobertos, numa tentativa, verossímil ou não, de dar crédito às
histórias narradas.
A sua versatilidade literária e criadora, aliada à necessidade
de não perder o público com a progressiva influência de
Eça e de Teixeira de Queirós, levam-no a assimilar (depois de
ter parodiado) a atitude estética e os processos de escrita do Realismo
e do Naturalismo, visíveis nesse notável livro que é A
Brasileira de Prazins.
É um dos grandes romances de Camilo Castelo Branco e um clássico
indiscutível da literatura portuguesa. O livro conserva as principais
características camilianas: amores contrariados, casamento forçado,
sátira e poderosa carga dramática.Camilo Castelo Branco, sempre
com muita sensibilidade, vai ao encontro dos modos de ser e de sentir da gente
lusa, como em várias de suas obras.O painel traçado por Camilo é muito
rico em informações sobre episódios da vida política
portuguesa no contexto do romance.
O romance narra o drama de um jovem casal de amantes, Marta de Prazins e José Dias,
que vê o sonho do casamento desmoronar quando o ganancioso pai da moça
obtém dela, no leito de morte, a promessa de casamento com um tio rico.
Fiel ao primeiro amor, Marta cumpre o prometido com desespero e, já predisposta à demência,
passa do histerismo à loucura.
"Quando, à meia-noite, o Alma negra entrava em casa pela porta
do quintal, encontrou a mulher ainda de joelhos diante da estampa do Bom Jesus
do Monte. Ao lado dela estavam duas filhas a rezar também, a tiritar,
embrulhadas numa manta esburacada, aquecendo as mãos com o bafo.
O Melro mandou deitar as filhas, e foi à loja contar à mulher,
lívida e trêmula, como o Zeferino morreu sem ele pôr para
isso prego nem estopa. Ela pôs as mãos com transporte e disse
que fora milagre do Bom Jesus; que estivera três horas de joelhos diante
da sua divina imagem. O marido objetava contra o milagre - que o compadre não
lhe dava a casa, visto que não fora ele quem vindimara o Zeferino; e
a mulher - que levasse o demo a casa; que eles tinham vivido até então
na choupana alugada e que o Bom Jesus os havia de ajudar.
Ao outro dia, o Joaquim Melro convenceu-se do milagre, quando o compadre,
depois de lhe ouvir contar a morte do pedreiro, lhe disse:
- Enfim, você ganha a casa, compadre, porque matava Zeferino, se os
outros não matam ele, hem?"
  
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